Apreciação da participação da SDJ nos Nacionais de Jovens 2004
Apreciação global
A apreciação que fazemos da participação dos jovens da SDJ da AXP é globalmente muito positiva, excedendo as expectativas em muitos casos.
Foi positiva no aspecto logístico da delegação, decorrendo tudo dentro do planeado, e no apoio técnico aos jogadores, cujo nível foi melhorado, comparativamente com anos anteriores.
Excedeu as expectativas nos tabuleiros, com vários aspectos a realçar:
1. Do grupo dos primeiros planos em que apostámos (13 jovens), todos cumpriram os seus objectivos e mais de metade obteve as suas apostas mais elevadas, alguns com excelência;
2. Do grupo da segunda linha (11 jovens), a maioria correspondeu ao desafio e obteve resultados de bom nível;
3. Do grupo restante, em relação aos quais não tínhamos qualquer tipo de expectativa e "o que viesse era sempre bom", saíram grandes surpresas, com alguns jovens a mostrar que podemos contar com eles para os grandes desafios, nomeadamente Tiago Tavares nos sub-14 e Miguel Ferreira nos sub-12.
1. As maiores apostas
Sub-20
Daniel Quintã e Marco Viela, ambos do GD Dias Ferreira, arrasaram pura e simplesmente toda a concorrência. Ninguém lhes podia exigir mais: empataram entre si e ganharam todos os restantes jogos. Em qualquer torneio do mundo 6,5 pontos deviam ser suficientes para ganhar, mas quando são dois os campeões... tem que se desempatar para ver quem leva a taça.
Daniel Quintã
Aposta máxima: Campeão > Alcançada, com excelência;
Objectivos: 5 primeiros lugares > Cumpridos, com excelência (1º);
Apesar de participar em poucas provas ao longo do ano, mantém uma força de jogo e poder de concentração notáveis. Que resultados obteria se fosse mais participativo ao longo da época?
Marco Viela
Aposta máxima: Campeão > Falhou nos penaltis; não podiam ser os dois;
Objectivos: 5 primeiros lugares > Cumpridos, com excelência (2º=1º);
Um caso raro de regularidade competitiva ao mais alto nível, a quem só falta um título nacional para coroar a sua carreira. Esteve quase...
Sub-18
Luís Machado, do GD Dias Ferreira, ganhou de forma segura a sua aposta mais elevada, classificando-se logo a seguir ao super-favorito João Guerra Costa. Maria Vasquez, dos Gambozinos, ganhou o título feminino e, mesmo não chegando ao pódio absoluto, cumpriu integral e folgadamente os seus objectivos.
Luís Machado
Aposta máxima: Pódio > Alcançada, com segurança;
Objectivos: 7 primeiros lugares > Integral e folgadamente cumpridos (2º);
Um valor seguro do nosso xadrez, que diz sempre presente quando os desafios se lhe colocam. Últimamente não tem competido com tanta regularidade, mas mantém intacto o seu valor.
Maria Vasquez
Apostas máximas: Campeã feminina e pódio absoluto > Alcançada a primeira, não chegou à segunda;
Objectivos: Vice-campeã e 10 primeiros lugares > Integral e folgadamente cumpridos (1ª, 9º=7º);
Tem-nos habituado a trazer o título feminino e, apesar da forte concorrência, que nos levou a admitir como bom o 2º lugar entre as raparigas, não falhou. Tem vindo a participar mais frequentemente em competições, o que se reflecte na subida da sua capacidade competitiva, mas ainda não foi suficiente para chegar ao pódio absoluto.
Sub-16
A armada do Porto era avassaladora: 5 apostas para os primeiros lugares, com o objectivo de ficarem nos 10 primeiros. Além desses, conseguimos mais 1: 6 jovens nos 8 primeiros. A única derrota de António Caramez Pereira (GD Dias Ferreira), no seu último jogo, deixou que Tiago Silva, de Braga, se intrometesse e ocupasse o 3º lugar; bastaria ter empatado para que fossem do Porto os primeiros 5. À excepção desse jogo e do de André Viela (GD Dias Ferreira) na 2ª sessão face a André Pinto, de Leiria - que lhe custou o 3º lugar e, quiçá, o campeonato - esses 6 apenas perderam entre si - vitórias de Hugo Martins (Gambozinos) sobre Fábio Barbosa e Estêvão Gomes (ambos GD Dias Ferreira) - denotando um grande equilíbrio e homogeneidade competitiva do grupo. Os matches de desempate para atribuição do título, entre Hugo Martins e Ariana Pintor (Gambozinos), foram um momento emocionante dos campeonatos, levando a decisão até ao último segundo, ao último lance - uma decisão por penaltis até ao fim, em que só um tinha ido à barra.
Hugo Martins
Aposta máxima: Campeão > Alcançada, com excelência;
Objectivos: 5 primeiros lugares > Cumpridos, com excelência (1º);
Apesar da travessia do deserto, após a desilusão de 2003, continua a manter intacta a sua força competitiva e o seu reconhecido talento. Sabe agora que tem de lutar em todos os momentos e até ao lavar dos cestos, o que valoriza a sua vitória.
Ariana Pintor
Aposta máxima: Campeã feminina e pódio absoluto > Alcançada, com excelência;
Objectivos: Campeã feminina e 10 primeiros lugares > Cumpridos, com excelência (1ª, 2º=1º);
De uma regularidade competitiva notável, habituou-nos a ser crónica campeã feminina, mas os títulos absolutos ficavam quase sempre para os amigos. Neste campeonato mostrou que tem capacidades para poder aspirar legitimamente ao título absoluto. Só falhou um dos penaltis, enquanto Hugo não falhava...
Fábio Barbosa
Aposta máxima: Pódio > Não conseguiu;
Objectivos: 10 primeiros lugares > Cumpridos, com segurança (5º);
Era à partida o 4º do grupo, com algumas aspirações ao pódio. Falhou por pouco: o último jogo, face a Hugo Martins - o último de todos os campeonatos - foi perdido nos apuros de tempo. Se tivesse mantido o empate, teria entregue o 2º lugar a Hugo e ficado com o 3º, deixando o título para Ariana. Um valor seguro que apenas necessita de maior confiança competitiva.
André Viela
Aposta máxima: Campeão > Não conseguiu;
Objectivos: 5 primeiros lugares > Cumpridos (4º=3º);
Já nos habituou a ganhar competições difíceis e está num bom momento de forma, sempre em crescendo. O seu 2º jogo, face a André Pinto, deitou por terra as suas aspirações, mas ainda conseguiu chegar à última sessão a depender apenas de si para ganhar o título. Só que... tinha de vencer Ariana e isso revelou-se muito difícil, em mais um dos últimos jogos a acabar nos campeonatos. O empate relegou-o para o 4º lugar, o mais ingrato.
António Caramez Pereira
Aposta máxima: 5 primeiros lugares > Praticamente alcançada;
Objectivos: 10 primeiros lugares > Folgadamente cumpridos (6º=5º);
Tem vindo a evoluir nas suas capacidades, tornando-se e firmando-se como uma aposta segura para os primeiros lugares. Necessita de maior confiança, tal como Fábio, e de melhorar ainda mais a sua regularidade, se quiser lançar-se a voos mais altos (a sua falha no último jogo deitou por terra a hipótese bem real que teve de participar no desempate para o título com Hugo e Ariana).
Sub-14
Neste escalão etário, as posições são inversas às dos sub-16: a armada é lisboeta e resta-nos, com os poucos jogadores que temos neste escalão, lutar pelos lugares de honra. Ricardo Margarido, do GD Dias Ferreira, e Simão Pintor, dos Gambozinos, cumpriram com os objectivos traçados, apenas lhes faltando o golpe de asa que lhes permitisse ir ao pódio. Neste escalão tivemos uma boa surpresa, mas disso tratar-se-á mais adiante.
Simão Pintor
Aposta máxima: 5 primeiros lugares > Praticamente alcançada;
Objectivos: 10 primeiros lugares > Cumpridos (10º=5º);
Numa prova em que poucos foram os confrontos entre os da frente, as derrotas consecutivas com Ruben Pereira e Carlos Novais (este do "seu" campeonato), não permitiram fazer melhor. Com um pouco mais de solidez e concentração competitiva poderá lutar pelo topo.
Ricardo Margarido
Aposta máxima: 5 primeiros lugares > Praticamente alcançada;
Objectivos: 10 primeiros lugares > Cumpridos (8º=5º);
Depois de um período de maior apagamento, está a ressurgir muito bem e sempre em crescendo. Derrotado apenas pelo vice-campeão, nos jogos do "seu" campeonato venceu um, face a João Neto, e empatou outro, face a Carlos Novais, o que lhe compensou o semi-deslize (empate) com Diogo Ramos. Empenhado como é, facilmente colmatará as pequenas falhas de regularidade que ainda o arredam do topo.
Sub-12
As apostas neste escalão reduziam-se a Catarina Costa, dos Gambozinos, que alcançou o título feminino e chegou a liderar isolada a classificação absoluta, tendo imposto a única derrota do campeão. Ao perder com Daniel Cavaleiro, vice-campeão, e empatar com César Rodrigues, 3º classificado, hipotecou as hipóteses de que chegou a dispor para lutar pelo título absoluto, mas fez ainda assim uma prova ao seu melhor nível, cumprindo integralmente os objectivos a que se propunha. Neste escalão também houve boas surpresas, que serão tratadas mais adiante.
Catarina Costa
Apostas máximas: Campeã feminina e pódio absoluto > Alcançada a primeira, não chegou à segunda;
Objectivos: Vice-campeã e 10 primeiros lugares > Integral e folgadamente cumpridos (1ª, 5º);
Com o seu jogo cada vez mais consistente e mostrando uma melhoria na regularidade competitiva, está pronta para a disputa dos títulos absolutos na sua idade. Necessita de continuar a aprimorar aqueles aspectos.
Sub-10
As apostas em que Francisco Mateus, da Academia de Xadrez de Gaia, conseguiria um lugar no pódio, fundadas em toda a evolução que ele tem demonstrado, falharam por pouco. Uma maior experiência dos vencedores de 2003, não só em competição como na idade, prevaleceu. Mas Francisco demonstrou estar pronto para o desafio, e não demorarão novas oportunidades.
Francisco Mateus
Aposta máxima: Pódio > Não conseguiu;
Objectivos: 7 primeiros lugares > Integral e folgadamente cumpridos (4º);
Um valor emergente do nosso xadrez que se afirma cada vez mais. Não lhe falta talento nem atitude competitiva. O resto virá com o trabalho.
2. A segunda linha
No grupo dos jovens cujos objectivos não implicavam a disputa de lugares cimeiros mas dos quais se esperavam boas performances, os resultados obtidos foram diferenciados, na maioria positivos.
Sub-20
Pedro Figueiredo, da Escola da Boa Nova, alcançou um excelente 8º lugar, com os mesmos pontos do 4º, num grupo onde se incluem ex-campeões como Luís Silvério (nr. 1 do torneio) e Hugo Alves. Confirmação do seu valor.
Sub-18
Carlos Pereira, da Escola da Boa Nova, fez uma prova de bom nível, terminando em 13º com os mesmos pontos do 7º (4,5), a par de jogadores como Henrique Castro (nr. 2 do torneio), Daniel Bicho e Maria Vasquez (a campeã feminina). Para isso contribuiu a sua excelente vitória sobre a nr. 4 do torneio, Marta Leite, com que ajudou Maria Vasquez a conquistar o ceptro feminino.
Já a Emanuel Sousa, do Amanhã da Criança, as coisas não correram tão bem. Ao fim de 3 sessões seguia no comando, a par com Carlos Oliveira, de Lisboa. Perdeu com este à 4ª sessão e a partir daí foi o descalabro, apenas obtendo mais 0,5 ponto na penúltima sessão, perante Carlos Pereira.
Sub-16
Estêvão Gomes, do GD Dias Ferreira, realizou uma prova ao seu melhor nível, acabando em 8º lugar com os mesmos pontos do 5º. Juntou-se aos 5 sub-16 da frente, formando o grupo de 6 portuenses nos 8 primeiros. Tem mostrado alguma irregularidade ultimamente, mas aqui correspondeu ao desafio. Muito positivo.
Eduardo Oliveira, do GD Dias Ferreira, fez uma prova razoável, acabando em 14º=11º, com 4,5 pontos, com o pequeno senão do empate cedido à 5ª sessão.
João Linhas Simões, dos Gambozinos, confirmou a sua irregularidade, tanto sendo capaz do melhor como do pior. As suas derrotas à 4ª e 6ª sessões, principalmente esta, comprometeram uma performance ao nível do que tem prometido e o seu Elo já impunha. Estava em dia não na sexta-feira, mas numa prova destas a regularidade é fundamental para se chegar ao cimo.
Sub-12
Gustavo Pinto, do GD Dias Ferreira, alcançou um excelente 6º lugar, com os mesmos pontos do 5º, a campeã feminina Catarina Costa, - 5 pontos - sem nunca ter perdido. A confirmação do valor de um jovem que tem obtido resultados algo intermitentes, mas que pode ter dado o tiro de partida para resultados de primeiro plano.
De Miguel Simões, dos Gambozinos, esperava-se mais. Mas as coisas correram-lhe mal em mais dias do que ao irmão dos sub-16. Já mostrou em ocasiões anteriores poder obter melhores resultados. Concerteza o fará.
Já Gisela Alvarenga, do GD Dias Ferreira, fez uma prova razoável, alcançando 4 pontos, superando as expectativas e mostrando a sua evolução.
Sub-10
Rodrigo Valente, da Academia de Xadrez de Gaia, fez uma prova globalmente positiva, saindo derrotado apenas duas vezes: com o ex-campeão de sub-08, Luís Agapito, e com Cláudio Sá, no que terá sido o seu jogo menos conseguido. Apurando a sua regularidade, poderá aspirar a voos mais altos.
Já com António Pedro Marinho as coisas não correram tão bem. Muito irregular, foi derrotado por 4 vezes e só na 1ª, face a Manuel Silveira, vice-campeão, o adversário não estava ao seu alcance. Terá de aproveitar o que aprendeu, para emergir e voltar a alcançar bons resultados.
3. As boas surpresas
Relativamente aos restantes jovens, não havia expectativas especiais, seja porque alguns começaram há muito pouco tempo a competir, seja porque outros, mesmo competindo, ainda não mostraram resultados de relevo. Destes espera-se nada e tudo!
Pois foi entre estes que se obtiveram excelentes surpresas:
A primeira a merecer destaque é a prova de excelente nível de Tiago Tavares, da Academia de Xadrez de Gaia, nos sub-14. Tiago começou a competir em Janeiro de 2004. Agora empatou com Sara Afonso, que já foi campeã feminina e representou Portugal em campeonatos mundiais, teve na mão o seu último jogo, face a um jogador Fide e crónico candidato, que também já representou Portugal em sub-10 (Pedro Rego), que lhe daria o 4º lugar final, só o perdendo pela diferença de experiência, e acabou com 4,5 pontos no 13º lugar. Uma evolução fantástica. Um nome a contar para os próximos desafios.
A segunda foi a prova de Miguel Ferreira, do Colégio de Gaia, nos sub-12. Miguel entrou em competição há pouco mais de 1 ano e a sua evolução tem sido notável, com os resultados à vista: acabou com 5 pontos, os mesmos da campeã feminina Catarina Costa e de Gustavo Pinto, sem perder qualquer jogo (uma solidez de resultados com que não se esperava). Mais um nome a confirmar em próximos desafios.
As restantes são os bons resultados obtidos por Eduardo Santos, do GD Dias Ferreira, nos sub-16, por Marcos Madeira, dos Gambozinos, nos sub-12, por Paulo Marú, da Academia de Xadrez de Gaia, nos sub-10, por Miguel Rola Vieira, do GD Dias Ferreira, também nos sub-10, e por Pedro Dias, da Academia de Xadrez de Gaia, nos sub-08.
Uma referência especial para quem obteve lugares no pódio: Adriana Santos, do GD Dias Ferreira (3ª feminina nos sub-20) e Alexandra Ferreira, da Academia de Xadrez de Gaia (3ª feminina nos sub-08).
Os mais +
Os mais de Rui Almeida
- Marco Viela e Daniel Quintã, pelo domínio absoluto sobre a concorrência que patentearam;
- Luís Machado, pela boa prova realizada, acima do esperado;
- Ariana Pintor, pela luta pelo título absoluto, depois de nos habituar ao feminino;
- Estêvão Gomes, o mais aplicado na preparação;
- Tiago Tavares, a maior revelação.
Os mais de José Padeiro
- Daniel Quintã, pela capacidade após longo interregno;
- Ariana Pintor, pela constância;
- Ricardo Margarido, pela humildade e empenho;
- Tiago Tavares, pela evolução fantástica;
Os mais de Manuel Pintor
- Marco Viela e Daniel Quintã, porque pareceu um passeio nos sub-20;
- Ariana Pintor e Hugo Martins, pelo domínio nos sub-16 e pela emoção;
- Tiago Tavares e Miguel Ferreira, pela revelação;
- Toda a SDJ, pelo empenho, pela evolução, pelos resultados.
A estrutura da SDJ da AXP
Porto, 2004-08-01
